a·li·e·na·do. aquele que, voluntariamente ou não, se mantém distanciado das realidades que o cercam.

Getúlio Vargas e Dilma Rousseff: estranhas coincidências (26/02/2015)

Por Lira Neto, biógrafo de Getúlio Vargas, no Facebook.

Trechos de “Getúlio (1945-1954): Da volta pela consagração popular ao suicídio”

“No mesmo dia em que tomou posse [em 1951], recebendo a maior aclamação pública a que tivera direito até então um chefe de Estado brasileiro, Getúlio surpreendeu o país ao anunciar um ministério de perfil nitidamente conservador.”

[…]

“O PSD recebeu não só o maior número de pastas civis — quatro, das sete existentes —, como também passou a constituir o chamado “núcleo duro” da equipe. O Ministério da Fazenda foi entregue ao empresário paulista Horácio Lafer, sócio-proprietário do grupo Klabin-Lafer, do setor de papel e celulose.”
[…]

Getúlio causou ainda maior espanto ao nomear, para a Agricultura, um usineiro pernambucano filiado à UDN: João Cleofas de Oliveira.”
[…]

“Tão logo foi anunciada a nomeação de um correligionário para o ministério, os udenistas se apressaram a descartar qualquer espécie de participação da legenda no novo governo, contra o qual prometiam fazer cerrada oposição. ‘O Cleofas não representa a UDN, ele aceitou o ministério por uma decisão pessoal’, declarou Odilon Braga, presidente da executiva nacional.”
[…]

“No final das contas, as tentativas de aproximação com lideranças udenistas resultaram mais em prejuízo do que em vantagens para Getúlio. As bancadas do PSD e do PTB se sentiram atraiçoadas, enquanto setores da UDN, entendendo que havia um processo de cooptação em curso, radicalizaram a retórica oposicionista. Em vez de mirar o governo no plano institucional, os ataques passaram a se centrar cada vez mais na figura do presidente, personificado como alvo prioritário a ser combatido.
[…]

“Com dificuldades na articulação parlamentar, o governo caminhava para o isolamento político. Mostrava-se incapaz de estabelecer um controle efetivo sobre o voto dos aliados, ao mesmo tempo que testemunhava o acirramento progressivo da oposição.”
[…]

“À maré de contratempos se somava o pífio desempenho da economia brasileira. Naquele ano, a inflação bateu a marca dos 12,7% — contra os 12,3% do ano anterior, mantendo o viés de alta. A balança comercial sofreu queda drástica, caindo de um superávit de 418 milhões de dólares, registrado em 1950, para um déficit de 280 milhões de dólares ao final de 1952.”
[…]

“’O custo de vida disparou no rodopio da espiral inflacionária. As promessas de campanha, que arrastaram multidões fantásticas por todo o país, não puderam ser cumpridas, desmanchando esperanças no caldo azedo da decepção’, analisou, retrospectivamente, o jornalista Villas-Bôas Corrêa, que à época era repórter do ‘Diário de Notícias’.”
[…]

“A cada dia pipocavam escândalos, uns maiores, outros menores, nos mais diversos setores da administração pública — fato que levou Carlos Lacerda a cunhar a expressão “mar de lama” para definir o fenômeno. Segundo os oposicionistas, a corrupção se tornara endêmica no país.”
[…]

“Ante a soma de escândalos, a oposição se dizia estarrecida. O discurso em defesa da moralidade pública logo daria origem a iniciativas como o Movimento Cívico de Recuperação Nacional, instituído em São Paulo pelos estudantes da Faculdade de Direito, com o apoio decisivo de políticos como Carlos Lacerda, Jânio Quadros e Otávio Mangabeira. […] Mas nenhum desses grupos que se arvoravam como defensores da moral e dos bons costumes políticos ganhou tamanha notoriedade quanto o Clube da Lanterna, idealizado por Lacerda e presidido pelo jornalista Amaral Neto — futuro apresentador do programa ‘Amaral Netto, o Repórter’, espécie de porta-voz informal do regime militar instaurado após 1964.”

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Informação

Publicado em 17/03/2015 por em Política.
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